Quem nunca se percebeu dizendo ou ouvindo a seguinte frase: Vamos dar um jeitinho! Ou nunca se viu furando uma simples fila?
A concepção de “jeitinho” brasileiro representa uma expressão de fácil entendimento, que diz-se estar enraizada na índole do povo brasileiro, e não é algo de exclusividade dos políticos, mas sim da maioria da população brasileira. O “Jeitinho” brasileiro pode ser entendido e/ou definido de uma forma mais genérica como a malandragem histórica de nosso povo. Fato este com o qual temos contato desde pequenos e ouvimos constantemente em nosso dia-dia e indiretamente presenciamos nos atos das pessoas. Compreende-se que o que estamos fazendo não é moralmente correto, mas nos perdoamos, pois sabemos que ao mesmo tempo também sairemos na vantagem.
Assim como uma moeda, tudo tem dois lados, e como tema “jeitinho” brasileiro essa premissa básica continua valendo. Muitos consideram a expressão “jeitinho” brasileiro como sinônimo de corrupção, para outros significa criatividade, capacidade de inovar para competir, usar a esperteza no bom sentido.
Analisemos os dois lados dessa moeda e tiremos nossas próprias conclusões, por exemplo, ao furar uma fila e obter vantagem, estaremos prejudicando outras pessoas e o “jeitinho” dado ao nosso problema (furar a fila) acaba por ser um ato irresponsável, deselegante e imoral. Por outro lado, quando um governante da um “jeitinho” de acelerar, por exemplo, o processo de construção de uma estrada, percebemos que esse “jeitinho” foi coletivo, trazendo vantagens a todos. Porém em uma mesma perspectiva muitos julgam que ao dar um “jeitinho” estão agindo corretamente, mas quando outra pessoa faz a mesma coisa, esse mesmo indivíduo julga aquilo como errado. A verdade é que dependendo do lado que eu estou, praticando ou vendo outro praticando o “jeitinho” brasileiro, a compreensão dá-se de forma diferente, eu praticar é sinônimo de esperteza, outro praticar é de mal caratismo, isto mostra o egoísmo brasileiro.
Esse assunto já gerou e continua gerando muitas discussões, pois o “jeitinho” já esta enraizado na cultura do povo brasileiro. Diferentes são as abordagens acerca desse tema dependendo do ponto de vista analisado, porém o que todos sabem é que nos utilizamos muitas vezes, de forma consciente ou não, do “jeitinho” para fazer ou conseguir algo que queremos, e que temos a percepção que isso é antiético e errado.
Julga-se que se as pessoas mudarem sua forma de pensar e agir, a incidência da utilização do “jeitinho” poderia diminuir, e assim todos estaríamos pensando mais coletivamente e agindo de forma ética e honesta, princípios estes que aprendemos na infância, porém com o passar dos anos e o advindo de dificuldades deixamos de lado, para dar um “jeitinho” nas adversidades.
Enfim, cabe a cada um de nós analisarmos nossas ações e verificar que tipo de ética e honestidade estamos praticando e tirarmos nossas próprias conclusões a respeito disso.


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